sexta-feira, 25 de abril de 2008

No dia de Hoje...

No dia de hoje, como filho de Abril, herdeiro da "madrugada esperada", na liberdade que todos os dias se conquista e se merece, uma palavra de agradecimento para os homens que, maiores que o tempo, tornaram possível a Revolução. Para esses, um cravo. Para todos, a Utopia de José Afonso, que viveu sempre do lado de Abril, com a pureza e a honestidade dos que "por obras valorosas, se vão da lei da morte libertando.".
Obrigado.


1 comentário:

José Eugénio M. Pereira da Costa disse...

Para mim, lembrar o 25 de Abril, é quase só saudade; um "sonho" de que, agora, acordado, pouco mais sobrou. É verdade que somos "livres". Abril deu-nos o "direito" de dormir nas ruas (a baixa de Lisboa está tornada num "hotel", cujo teto são as estrelas, quando o tempo as deixa ver... e não é proibido; o "direito" de tratar das cataratas, nas Caraíbas, em Cuba;
o "direito" de se saber que os ricos são todos os dias mais ricos e, os pobres, aumentam em cada dia que passa; o "direito" de os "responsáveis" p'los males de que vimos sofrendo, deles falarem, quiçá, fazendo auto-crítica, mas dando a sensação de que "lavam daí as mãos"; o direito de, eu próprio, poder, ainda, escrever tudo isto e a certeza, quase certa, de que, nesta noite, a PIDE me não vem buscar...e este é, porventura, um dos poucos direitos que Abril, por enquanto, resguardou. E porque, direito é direito, vou transcrever um pequeno poema:

"Pintaram o céu de preto
E vieram-nos dizer
Que o céu era mesmo preto
Mas nós não quisemos crer.

E, uns sobre os ombros dos outros,
Fomos subindo, subindo
Até que, ao alto, chegou
Um camarada qualquer...
...
Cuspiu nas mãos. esfregou
E, do céu negro, brotou
Um claro rasgão d'azul."

E é este azul que, num destes dias, qual arco-iris, acabará
reavivando a esperança, que escancará as portas que Abril abriu...Nesse dia "mataremos" as saudades...